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Assaí (ASAI3): quais as perspectivas para a rede de atacarejo?

Assai ASAI3

No final de novembro, o Assaí (ASAI3) realizou o seu encontro anual com investidores. Saímos com nossa visão positiva para a companhia reforçada após o evento. Nele, os executivos exploraram as avenidas de crescimento do negócio, o momento operacional, além de revisitar um pouco de sua trajetória. Vamos aos destaques. 

Ampla presença nacional e participação de mercado 

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A expansão do Assaí nos últimos 12 anos é notável. Em 2011, estava presente em apenas 7 estados, com 59 lojas. Hoje, suas 281 lojas estão distribuídas em 25 estados brasileiros e 136 municípios, recebendo mensalmente mais de 35 milhões de clientes. Segundo uma pesquisa de mercado realizada pela Nielsen, o Assaí é a marca com maior presença nos lares brasileiros, sendo 1 em cada 4. O forte crescimento da companhia em território nacional ao longo da sua história, amparado por uma gestão ímpar e pela atratividade do segmento de Cash & Carry para o consumidor, levou o Assaí a conquistar 33% de participação de mercado.

Fonte: Assaí

Importante ressaltar que essa forte expansão ocorreu de forma bastante rentável. Ao multiplicar por mais de 4 vezes o seu número de lojas, o Assaí alcançou um crescimento anual médio de 26% no faturamento bruto desde 2011 e levou a receita por loja de R$ 77 milhões para R$ 254 milhões anuais. Assim como mostramos em nossa tese de investimentos, a margem ebitda do negócio se manteve estável praticamente durante todo esse período, evidenciando por mais uma ótica a qualidade do negócio e da gestão. 

Futuro do Cash & Carry

Esse foi um tema bastante questionado ao longo dos últimos 2 anos, após a expansão física forte não só do Assaí, mas de todos os players do segmento de Cash & Carry, devido ao seu modelo de negócio vencedor. A companhia trouxe alguns dados durante o Investor Day que deram mais cor sobre as oportunidades que ainda existem para expansão. 

Hoje há 2.500 lojas e 300 empresas no atacarejo. Das 203 cidades com mais de 150 mil habitantes, 91 cidades ainda não possuem uma loja Assaí. Além disso, em diversos municípios com mais de 150 mil habitantes, a companhia está com menos lojas do que o ideal para atender toda a região. 

Fonte: Assaí
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É fato que o espaço para expansão é bem menor do que há alguns anos. Contudo, ainda existem oportunidades bastante óbvias de crescimento orgânico e a companhia deve continuar investindo nessa vertente pelos próximos anos — mas com menor intensidade em relação aos últimos 2 anos, como veremos à frente. 

Regionalização: um importante pilar de crescimento 

Parte importante do plano estratégico do Assaí consiste em ter um alto grau de regionalização no negócio, que consiste em personalizar suas lojas de acordo com o comportamento de consumo de cada região, passando pela estrutura e o ambiente da loja, sortimento, serviços oferecidos, marketing e outros atributos.

Assim, para fidelizar e atrair novos consumidores, a companhia conta com 11 escritórios regionais e 28 células de compra — em alguns estados mais de 1 célula de compra, dada a diversidade de preferências da população. Hoje, a companhia tem mais de 3 mil fornecedores, sendo 60% são regionais, 30% são locais, que vendem apenas para um estado ou 1 loja, e apenas 10% são nacionais. 

Fonte: Assaí

Crescimento orgânico e conversões das lojas Extra

Quando a aquisição das lojas Extra pelo Assaí foi anunciada em outubro de 2021, havia um grande receio por parte do mercado em relação à qualidade e a velocidade dessas conversões para o modelo de Cash & Carry. Na verdade, como já mencionamos também em outras oportunidades, apesar da magnitude diferente, a companhia já fez movimentos como esse com sucesso em outras ocasiões, o que nos trazia maior tranquilidade. 

Passados 2 anos, tanto a velocidade quanto a qualidade das conversões vão muito bem e em linha com as estimativas iniciais da companhia. Com menos de 12 meses de operação e ainda em processo de maturação — ou seja, há espaço para melhorar —, as lojas convertidas atingem faturamento 13% superior à venda da loja orgânica madura e margem EBITDA Pós-IFRS16 em linha com a média da companhia. 

Apesar do grande projeto de expansão que vem sendo realizado nos últimos 2 anos e deve ser finalizado nos próximos trimestres, os planos de expansão do Assaí não vão parar por aí. Amparado pelas oportunidades disponíveis ainda em diversos municípios, a companhia deve abrir mais 15 lojas em 2024 e 20 em 2025, com boas expectativas de rentabilidade. 

Fonte: Assaí

O processo de desalavancagem de Assaí ganha ímpeto

Conforme destacamos ao longo do ano em nossos relatórios, o grande obstáculo para as ações do Assaí em 2023 foi (e ainda é) a alavancagem financeira elevada, resultado do robusto plano de expansão iniciado em 2021. Acreditamos que essa questão será endereçada com mais força a partir do próximo ano. 

A aceleração da curva de maturação das conversões e entrada das 6 lojas remanescentes em operação deve contribuir de forma significativa para a geração de caixa operacional. A desinflação de alimentos, que prejudicou os resultados do setor este ano, também não deve ser mais um problema para a companhia. Além disso, também é esperada liberação de caixa através do aumento de eficiência do capital de giro, principalmente na linha de fornecedores. 

Ainda, o Capex orçado para 2024 ficou em R$1,5-2 bilhões, cerca de um terço do realizado em 2023, que será destinado principalmente para as aberturas de lojas e manutenções. E, não menos importante, o pagamento da última parcela referente a aquisição dos hipermercados Extra será feita no 1T24, liberando ainda mais recursos. 

Impulsionado também pela redução das despesas financeiras, em função do ciclo de afrouxamento monetário, o caminho para a desalavancagem financeira do Assaí parece bem desenhado. A expectativa da companhia é encerrar 2024 abaixo de 3,5x dívida líquida sobre Ebitda (ajustado pré-IFRS 16).

Fonte: Assaí

Outras avenidas de crescimento

Durante o evento, foram destacadas outras avenidas de crescimento para o Assaí, com destaque para o aumento da rentabilização dos seus ativos explorando as galerias comerciais, em nossa visão. Junto das lojas adquiridas do GPA, o Assaí também adicionou ao seu portfólio 230 mil m² de área bruta locável em galerias comerciais integradas a esses ativos. Para dar um pouco de dimensão, isso caracterizaria a companhia como a terceira maior rede de shoppings do país.

Além de rentabilizar esses espaços através da locação para outras companhias, o fluxo de consumidores atraído para as galerias deve influenciar nas vendas do Assaí, que deverá atrair parte dessa clientela para as suas gôndolas. 

Outras oportunidades de crescimento destacadas pela companhia foram:

i) Incrementar a rentabilidade dos ativos e fluxo de consumidor através da expansão na oferta de serviços dentro dos mercados, como açougue, padaria e adegas.

ii) Continuar desenvolvendo a estratégia Phygital, através da integração do canal físico e digital. 

ii) Crescer a oferta de serviços financeiros, principalmente para seus clientes PJ.

Conclusão sobre Assaí

Depois de um ano difícil para ASAI3, acreditamos que 2024 terá um solo bem mais fértil para as ações deslancharem. Com um exército de lojas mais maduras e bem localizadas, fim dos pagamentos para o GPA, redução robusta do capex, continuidade do ciclo de afrouxamento monetário e melhora das condições econômicas dos consumidores, a geração de caixa no próximo ano tem tudo para impressionar e endereçar as preocupações relacionadas a alavancagem financeira.

Embora o curto prazo ainda possa reservar alguma volatilidade para as ações, a companhia está inserida em um dos setores mais resilientes da Bolsa e com perspectivas animadoras para o próximo ano. Negociando a menos de 15x os seus lucros projetados para 2024, o Assaí (ASAI3) segue como uma recomendação da Empiricus Research.

O post Assaí (ASAI3): quais as perspectivas para a rede de atacarejo? apareceu primeiro em Empiricus.

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