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Americanas (AMER3): o que esperar após aprovação de plano de recuperação judicial?

Lojas Americanas (AMER3)
Imagem: Shutterstock

Após uma assembleia realizada na última terça-feira (19), 91,14% dos credores de Americanas (AMER3) aprovaram o plano de recuperação judicial da varejista. Essa parcela representa 97,19% do valor devido à classe 3, aqueles com dívidas sem garantias. Esse grupo, composto por bancos e detentores de títulos de dívidas, é o que têm maior valor a receber – R$ 49,9 bilhões do total de R$ 50,1 bi.

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A companhia entrou com o pedido de RJ em 19 de janeiro, depois de um rombo de R$ 25,2 bilhões em fraude contábil e financeira.

A sessão durou das 14h às 20h e quase foi suspensa por conta da adição de novas cláusulas no plano. Os credores gostariam de mais tempo para avaliar as alterações, mas apenas 10,85% dos participantes (em torno de 1860) concordaram com o adiamento. Então, a assembleia seguiu normalmente com 97,36% dos credores da classe 3 presentes.

Proposta da Americanas

Em negociação, a Americanas propôs deságios de 50% a 80% da dívida e um prazo de pagamento entre quatro e 20 anos. Para acionistas, a proposta foi de 93% de deságio.

Ainda na terça (19) a companhia recebeu a confirmação da adesão do Banco Safra, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco da Amazônia.

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Segundo o analista Fernando Ferrer, da Empiricus Research, já era prevista a aprovação na assembleia. Outros bancos, como Santander, Bradesco, Itaú e BTG Pactual, já haviam firmado acordo anteriormente.

Para Ferrer, esse foi um passo importante, mas não significa que dará certo: “Muita coisa ainda precisa ser feita”.

Ele também explica que a demora para alguns bancos aceitarem a proposta da varejista se deu por conta de algumas exigências deles. Uma delas, ele cita, é que fossem republicados os balanços antigos – e isso já aconteceu, com exceção dos números de 2023, que serão divulgados, até o momento, em janeiro de 2024.

Lemann, Sucupira e Telles terão maior participação acionária

Com a aprovação do plano de recuperação judicial, a Americanas terá uma capitalização de R$ 24 bilhões.

Metade desse valor virá de aportes dos acionistas de referência – Jorge Paulo Lemman, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles. Cerca de R$ 1,5 bilhão já foi injetado e, após a homologação do plano, outros R$ 3,5 bilhões serão aportados dentro de 15 dias.

Os outros R$ 12 bilhões, atualmente em debêntures, serão convertidos em ações para credores financeiros, na maioria bancos, que apoiaram o plano.

“A partir disso, Lemann, Sicupira e Telles passam a ter 49% da posição acionária da empresa em vez de 30%, e uma fatia de 48% do controle da empresa ficaria com os bancos, e em torno de 3% fica para o free float [que antes eram de aproximadamente 70%]”, explica o analista.

Para aceitar essa proposta, as instituições financeiras credoras exigiram que os três acionistas de referência fiquem três anos sem vender os papéis da companhia. Por outro lado, os bancos também precisarão seguir a regra de ficar pelo menos seis meses sem vender suas ações e, passado esse período, só poderão vender até 5% de sua posição a cada três meses.

Ferrer explica que esse mecanismo foi criado para evitar um “overhang” no preço das ações, ou seja, para impedir que a venda dos acionistas de referência ou dos bancos influencie o mercado a fazer o mesmo e, com isso, a cotação do papel se manter sempre dentro de um certo limite e não valorize.

“Mas eu acho que mesmo com essa medida pode ser que ocorra sim um ‘overhang’ do papel”, comenta.

O plano também prevê a venda da Natural da Terra e a participação de 70% na Uni.Co.

Precificação dos papéis de Americanas vai mudar

As novas ações serão emitidas sob o critério de 1,33 vezes o preço médio do papel, ponderado pelo volume de negociação na B3, nos últimos 60 dias. Considerando a aprovação do plano ontem (19), o valor de conversão é de R$ 1,30. Também serão oferecidos um bônus de subscrição a cada três ações emitidas.

Ao preço de R$ 1,30 por ação, a Americanas terá que emitir mais de 18 bilhões de novos papéis para somar os R$ 24 bilhões necessários. Isso representa uma diluição de pouco mais de 95% em relação à base acionária atual.

A companhia projeta um Ebitda de mais de R$ 2,2 bilhões em 2025 e aposta na diminuição de sua dívida financeira bruta financeira para algo entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão.

O plano ainda precisa ser homologado pela Justiça e, a partir disso, a empresa terá dois anos para pôr em prática.

A Empiricus Research prefere Mercado Livre (MELI34) e Amazon (AMZO34)

No setor do varejo, Ferrer recomenda investir nos BDRs (papéis internacionais negociados na Bolsa brasileira) de Mercado Livre e Amazon, empresas com maior diversificação de vendas e capacidade de expandir as operações.

Ambas divulgaram resultados fortes no 3º trimestre de 2023 e demonstram resiliência quando comparadas à concorrência.

Além de MELI34 e AMZO34, a casa de análise recomenda outros 5 BDRs para você investir agoraConfira aqui o relatório gratuito.

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